Encarangada de saudade À beira da Lagoa dos Patos Escuto meu primo ler uma placa Registro da passagem de Garibaldi Pela cidade de São Lourenço do Sul
O olhar se perdeu entre os plátanos A lembrança busca por um passado Que jamais vivi e tomba com as folhas No chão. O vento levanta os cabelos E a manta vermelha que abriga a madrinha
Coberta de folhas, a areia da praia É bem menor que a emoção que sinto Arrepia a pele a saudade também futura O olhar atravessou a cortina de juncos E adormece na paz da Lagoa
"Quem disse que eu me mudei? Não importa que a tenham demolido:
A gente continua morando na velha casa em que nasceu"
[Mário Quintana]
Entrava na cozinha Minha mãe sentada à mesa com a gata Tomava seu café e dividia bolachas água e sal com Negrinha Da janela oblíqua entravam raios de sol Que se esticavam nos ladrilhos cinza do chão Sem querer invadia aquela cumplicidade silenciosa Elas tinham a mesma rotina que insistia em interromper Talvez para gravar essa fotografia na minha emoção de agora
No escritório, um dos quartos da casa Meu pai em seu computador de trabalho Tentava fazer tudo tão perfeito, que se amargurava Ele que há muito parecia habitar outro planeta tão distante
Na sala, dormia a coleção de livros que compraram E nunca leram. A não ser os livros de receitas que minha mãe Muito usou, como se isso pudesse tornar sua comida melhor O que eu não daria por mais um guisadinho com batatas Feito por ela
Quando minha mãe levou seus quitutes para longe Ficamos órfãos
Tuas pegadas nas terras longínquas Do surdo coração desabitado de amor Se confundem às conchinhas do mar Ficam à espera de ondas que partiram
A maré vazia, a lua nova no céu É a mesma promessa que nunca se conclui Sem teus sinais o mar não tem brilho Retorna cansado à praia um velho barco vazio
Teu rosto apagado pela maré cheia Esconde ilhas desertas onde flores haviam Que emoções vem sussurrar o teu passado?
Tuas mãos fortes já tão curtidas, ainda lutam para encontrar a terra desejada Náufraga realidade te habita além mar
Na loja de sapatos ortopédicos Procurava modelos acolchoados Recomendação médica seguida Com o bolso e a alegria arruinados
Havia um aparelho bem esquisito Que prometia melhorar joanetes Sob tortura provou-o também
O vendedor, hábil e eloqüente Ajudava a encaixar a forquilha Na lateral do pé para afastar o dedão Para dormir - sentia desde agora Teria muitos pesadelos para andar
Da rua, um menino magro e curioso Tal qual gato hipnotizado pela cena Do vendedor com sua nova cobaia
Pagou pelo sapato preto e pesado Que jurava salvação para toda dor A vaidade machucada com vontade
Alguns passos na calçada e tocaram seu braço: O garotinho pergunta o que colocara no pé Quis explicar mas não sabia falar de joanetes Para alguém tão sozinho e descalço pelas ruas
Em casa Pequeno quarto com uma só janela No sábado vivia livre feito lagartixa tomando sol sobre a pedra
Espreguiçava entre os livros Com o café da liberdade por acordar tão tarde Saboreando a companhia da poesia, fatiada em minutos possíveis
Os pés, descalços ainda, sinalizavam A ausência das palmilhas de silicone: hoje ela acordara Antes do esporão calcâneo e de outros algozes do seu dia a dia
A mente desaguando idéias na alegria Era a fotografia da arte sobrevivente, mesmo quando soterrada Entre os dissabores, as limitações, no escasso tempo que a colhemos do céu
Sobre a Saudade...Fotografia: André Viegas (Olhares)
Sentimos muita saudade Chamamos de lembranças... De passado e às vezes de futuro Mas há pessoas que deviam colar em nós Para sempre!
Mães são saudades eternas Ainda quando estão ao nosso lado Preparando nossos corações para o mundo Acho que somos feitos, em grande parte... Do perfume, do carinho e dos suspiros de mãe
Amigos são saudades gigantes Lembro de minhas amigas de infância até hoje Quando ainda brincava de bonecas, de pique-esconde São saudades do passado que se perpetuam no presente Tenho saudade dos amigos que moram longe, de ouvir sua voz Hoje uma amiga me ligou pela manhã e ficou tão perto...
Amores são saudades emolduradas Temos as fotos, temos os momentos vividos Alguns tem filhos, outros tem presentes, mas todos Temos histórias vividas, que o tempo só costuma ampliar... Sabemos que existem amores eternos, mas que outros vão nos renovar A maioria de nós não viverá uma história de amor para a vida toda...
Mesmo assim, de saudade em saudade vamos vivendo, vamos desviando também Não temos saudade de quem nos feriu com vontade, ou quem nos machucou muito Também escapamos de saudades algozes, aqueles que se fingiram de flor... Mas trouxeram sofrimento, embora na maioria das vezes tenham nos feito crescer também Se é inevitável sentir tanta saudade, quero viver muito para estar mais contigo, meu amigo Quero encontrar mais amor e mais amores e, do novo abrigo, abrir as portas e aplacar um pouco... Essa enorme saudade...
Já é outono na minha vida E sinto que bem lentamente O inverno vai se aproximando da janela... Mas, como a vida tem seus caprichos Nascem algumas flores no outono também Pode ser num dia todo nublado como hoje Ou num dia de estonteante azul, Desde que a canção desperte o seu interior E ele se abra, reluzindo em cores e perfumes
Não importa que os cabelos enbranqueçam Os pés cansem de andar tão depressa E comecemos a seguir com mais calma Pois é geralmente assim que nascem Os dias mais plenos, cheios de sons da alma Para perfumar os momentos novos que chegam
No outono nos permitimos mais... Podemos levantar cedo para cantar Ao invés de arrumar a casa Ir ao cimema pelo meio da tarde No lugar de arrumar o armário Sabemos mais do valor do tempo E que ele é as escolhas que fazemos
Foi no outono que nos conhecemos Num dia estomteante azul de abril... E espero que jamais nos percamos Mesmo que tenhamos que enfrentar Os mais longos invernos da vida Porque mesmo que isso aconteça Será bom lembrar de outonos azuis
A vida é sempre um tempo bom a ser vivido e permanece azul, Se cultivarmos sonhos e emoções boas a nos despertar sempre...
Sempre teremos o dia 19 de abril O dia do nosso descobrimento mútuo Da subida ao Corcovado no bondinho Das fotos que tiramos, com tanto azul... Brilhando muito no céu, bailando no mar
Sempre teremos o nosso encontro saboroso Esse com gosto de amizade antiga cultivada na internet Semeada nas publicações e colhidas a cada comentário Regada com cuidado ao longo das estações do tempo Ofertada em prosa, em verso e com tantas imagens
Sempre teremos o almoço aos pés do Pão de Açúcar As risadas à beira da praia em que o mar nos afagou E nos tornou ainda mais soltos, mais livres, melhores até A alegria é a melhor forma de agradecer por um momento É no sorriso que libertamos a felicidade para ela voar Com as brincadeiras permitimos a vida se tornar poema
Sempre teremos o que escrevemos ao longo da vida As fotos que registraram o dia em que estivemos juntos O céu que nos presenteou com um estonteante azul O mar que se vestiu de cores tão lindas e os pássaros Que foram para longe, ficaram com suas asas abertas nas fotos Nas muitas que tiramos, como se esse vôo não tivesse mais fim
Sempre teremos uns aos outros se nossa linguagem é o amor O carinho une as pessoas e a reciprocidade é algo que flui Porque o tempo passa tão depressa quando estamos felizes, Entre amigos e partilhando da luz da vida que nos ilumina? Talvez a vida seja mais eterna porque guardamos lembranças Tentando sempre voltar para viver de novo o que foi bom demais
É o momento de celebrar o Renascimento de Jesus...
Em família, com amigos e até comendo os deliciosos ovinhos de Páscoa,
que são tão doces e tem sabor de infância para mim.
FELIZ PÁSCOA para vocês!!
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Pequeno Recesso dos Blogs:
Eu realmente não tenho tido tempo de escrever, de postar nos blogs e fico triste de deixar minha casinhas assim, sem atualizações. Mas acho que precisamos parar um pouco às vezes, é bom nos permitirmos descansar quando é necessário também.
Então, vou fazer uma PAUSA nos blogs, mas assim que as coisas voltarem a uma rotina mais tranquila, (espero que não demore...) eu retornarei, cheia de poemas novos para continuarmos sempre PRESENTES compartilhando tanta POESIA por aqui.
Quem sentir saudades, aproveite para ler ou relar os meus posts mais antigos...
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Ainda com relação as Mentiras/Verdades que publiquei, as respostas são assim:
1. Sou nascida em Porto Alegre - Verdade! 2. Já toquei violão na rampa da Pedra da Gávea - Verdade! 3. Nado diariamente e também pratico volei e basquete - Mentira! 4. Tive um gato chamado Tigres e uma gatinha de nome Neguinha - Verdade! 5. Tenho um cachorro labrador que se chama Panda- Mentira! (mas bem que gostaria de ter um... ) 6. Eu escrevo poemas desde pequena - Verdade! 7. Já fui Caixa de Banco - Verdade! 8. Eu sei falar japonês- Mentira! 9. Cursei Jornalismo - Verdade!
AQUI É O LUGAR ONDE MEUS POEMAS, PROSAS E ALGUNS PENSAMENTOS VIVEM A ESPERA DO LEITOR...
Quem sou eu
Nome: Carol Timm
Local: Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Não sei bem quem sou, mas me procuro pelo caminho...
Não tenho pressa, contemplo a paisagem, vou bem devagarinho.
Se quiser me acompanhar, não mais irei só, pego tua mão com carinho.
Sinta-se em casa e me diga: aceita um chá ou prefere um cafezinho?
Comecei na blogosfera com a CASA DE PALAVRAS – que me tem trazido gratas surpresas, alguns bons amigos. Mas logo senti que haviam textos de outros autores que eu gostaria muito de divulgar, aí surgiu a CASA DE LEITURA. Recentemente tive vontade de mostrar meus textos para crianças, foi assim que nasceu a CASINHA DE BRINQUEDO. Espero sua visita e se deixar uma opinião, um bilhetinho vou ficar ainda mais contente...
"O Homem é do tamanho do seu sonho."
Fernando Pessoa
"O poema essa estranha máscara mais verdadeira do que a própria face."
Mario Quintana
Os Poemas das Mulheres
"...os poemas das mulheres
enlouquecem em pomares azuis"
Maat
“O mundo de Deus é grande e cabe numa mão fechada
O pouco com Deus é muito, o muito sem Deus é nada..."
Mestre Suassuna